STRESS

O que é o stress?
Componente inevitável do atual modo de vida, principalmente nas grandes cidades de modelo ocidental, o stress é o conjunto das reacções físicas e psíquicas do organismo aos fatores de agressão externa e às emoções (positivas e negativas) que exigem uma adaptação.

Um mínimo de stress é necessário: a sua total ausência tende a fazer desaparecer a motivação e a gerar um tédio insuportável (um tédio de morte, como se costuma dizer). Além disso, representa também uma resposta útil do nosso organismo, como reacção de alarme ou de defesa. Mas o nível mínimo a que nos referimos é muito variável e depende da pessoa em questão. Cada indivíduo apresenta, face a uma situação que o ameaça, um limiar de reacção que lhe é próprio e que depende:

– do estado de saúde;
– das experiências passadas;
– da estrutura da sua personalidade;
– do grau de integração social, que lhe permite, eventualmente, encontrar apoio entre os membros da sua família, os amigos, as relações pessoais.

Atenção: no entanto, seja em que circunstância for, um stress intenso e prolongado tem sempre consequências negativas. Como a duração é também um elemento importante na resposta ao stress, alguns "habituam-se" rapidamente a uma agressão prolongada, outros não conseguem essa adaptação. É o que acontece, por exemplo, em situações de crise conjugal, que, em alguns casos, podem levar rapidamente à ruptura, enquanto que, em outros, as pessoas conseguem reestruturar a relação.

Quais são as consequências do stress no organismo?
As reações do organismo ao stress fazem-se, essencialmente, através de um aumento de tónus do sistema nervoso autónomo e do aumento da secreção de determinadas hormonas - principalmente a hidrocortisona e a adrenalina - com as seguintes consequências:

– aceleração do ritmo cardíaco;
– vasoconstrição (estreitamento do diâmetro das artérias), cujo corolário é o aumento da tensão arterial;
– aumento da coagulação do sangue, através de uma acção sobre as plaquetas (células que desempenham um importante papel na coagulação);
– mobilização de lípidos e sua libertação para a circulação, levando, com a continuidade, ao aumento dos depósitos de gordura responsáveis pela aterosclerose.

No plano psicológico, o stress está ligado à ansiedade e à angústia. Se o estado de stress se mantiver durante um certo período de tempo produzirá fadiga mental e, nas pessoas mais frágeis, pode até levar a uma síndroma denominada astenia crónica, ou seja, um estado de esgotamento, de que é difícil recuperar.

Alguns estudos mostraram que o stress não afeta a todos da mesma maneira, já que, quando lhe estamos submetidos, cada um de nós apresenta uma espécie de órgão-alvo privilegiado, que pode variar bastante. Assim, um determinado estímulo acelera, em certas pessoas, o ritmo cardíaco, noutras, aumenta a tensão arterial e, noutras ainda, produz enxaquecas.

Por todas as razões apontadas, o papel do stress e da sobrecarga emocional no aparecimento das doenças cardiovasculares, sobretudo no enfarte do miocárdio e na deterioração das artérias coronárias, já não sofre, atualmente, qualquer tipo de contestação.

Quais são os fatores de risco?
São de ordem psicossocial: por um lado, é necessário determinar os fatores que parecem estar na origem do stress e, por outro, é preciso ter em conta a forma de reagir da própria pessoa quando submetida a situações de stress.

As circunstâncias
Alguns estudos levaram a que fosse proposta uma classificação dos acontecimentos geradores de stress. Essa classificação é feita em diferentes categorias, de acordo com a importância do stress que lhe está associado. Eis alguns exemplos, por ordem decrescente de importância (convém ter em conta que se trata de uma classificação esquemática).

Fatores de stress muito importantes
– morte do cônjuge ou de um familiar muito próximo;
– separação e divórcio, bem como o casamento;
– prisão;
– acidente ou doença grave;
– perda do emprego.

Fatores de stress importantes
– reforma;
– gravidez/nascimento (acolhimento de um novo membro na família);
– mudança de trabalho, alteração dos rendimentos;
– problemas sexuais;
– problemas de saúde na família.

Fatores de stress médio
– assinatura de um empréstimo importante;
– partida de um filho;
– sucesso pessoal;
– mudança de trabalho do cônjuge.

Fatores de stress ligeiro
– mudança de habitação;
– assinatura de um pequeno empréstimo;
– mudança das atividades sociais;
– mudança de dieta alimentar;
– partida para férias.

A resposta ao stress é igual para todas as pessoas?
Digamo-lo uma vez mais: cada indivíduo reage, à sua maneira, aos fatores da vida causadores de stress: o que, para uns, é fonte de stress, pode muito bem ser, para outros, motivo de prazer. Algumas pessoas parecem até acumular, com satisfação evidente, situações causadoras de stress que, para outras, parecem perfeitamente desnecessárias.

O exercício da profissão, por exemplo, desempenha um importante papel na vida, tanto do homem como da mulher. Mas o seu efeito na satisfação pessoal depende muito das circunstâncias em que a referida profissão é exercida. Os comerciantes, os profissionais liberais e os quadros superiores, mesmo quando parecem muito ocupados e, até, cheios de stress, gostam, geralmente, da sua situação profissional e desfrutam, quase sempre, de uma grande satisfação. Pelo contrário, são os operários, os empregados e os funcionários da base da hierarquia, cujo nível de instrução é relativamente baixo e cujo trabalho é pouco interessante, que mais acusam os sintomas de stress e depressão.

De igual modo, as doenças são menos frequentes nas mulheres que exercem uma atividade profissional, para além das normais lides domésticas e familiares, do que naquelas que ficam em casa e não usufruem de quaisquer relações sociais valorizantes.

Qual o tipo de personalidade mais susceptível de ter um evento cardiovascular?
Alguns especialistas estudaram, também, a relação que parece existir entre um determinado tipo de personalidade e o risco de ter um acidente cardíaco, principalmente um enfarte.
Um pequena nota à margem: este estudo foi iniciado por dois cardiologistas, especializados no tratamento de pacientes que sofriam de angina de peito ou que haviam tido um enfarte. Eles fizeram uma constatação curiosa: só a parte da frente dos sofás da sua sala de espera se encontrava gasta, o que dava a entender que os pacientes não ousavam sentar-se de forma suficientemente confortável...

Os resultados dos estudos efetuados parecem indicar que uma grande proporção dos homens com menos de 60 anos (e, por vezes, bastante menos), vítimas de enfarte, correspondem a um perfil particular: homem ambicioso, cheio de responsabilidades, com dificuldade em relaxar, sempre apressado e sob tensão, pouco inclinado a exprimir os seus sentimentos e, ainda, por cima, grande fumador. Este perfil é chamado tipo A, em oposição ao tipo B, menos ambicioso, mais calmo e descontraído face aos acontecimentos da vida quotidiana. No entanto, outros estudos, mais recentes, efetuados durante vários anos e num número elevado de pessoas, não parecem confirmar estas conclusões.

Como é evidente, estas classificações são muito esquemáticas e superficiais. Estudos posteriores procuraram definir melhor os contornos deste retrato-tipo e esclarecer quais os traços de caráter que constituíam, realmente, uma predisposição para o acidente cardíaco. Chegou-se à conclusão que os traços mais perigosos são o nível de hostilidade habitualmente manifestada pela pessoa, tal como a cólera contida, não expressa. Com efeito, quanto o stress é gerado, o organismo experimenta uma grande necessidade de passar à acção. Mas já não estamos no tempo das cavernas e, na maioria das vezes, esse stress tem de ser "engolido", de forma que a energia gerada não pode ser despendida. Ora, poucas coisas são mais nefastas para o ser humano e, sobretudo, para o bom funcionamento da sua máquina cardiovascular, do que o fato de ter de desviar o uso normal das suas "hormonas da ira".

Como reconhecer o excesso de stress?
Como já referimos, o nível óptimo de stress, ou seja, aquele que permite viver de forma suficientemente confortável sem, no entanto, se "morrer" de tédio, varia muito de uma pessoa para outra. Assim, dentro de certos limites, todos podem escolher o nível de stress que melhor se adapte à sua personalidade.

Como é evidente, existe um número de acontecimentos causadores de stress, ocasionais ou quotidianos, que são inevitáveis - ou dificilmente evitáveis -, quer se trate da morte de um parente ou dos engarrafamentos de trânsito que todos os dias se apanham a caminho do emprego. Mas, face a esses acontecimentos, podemos aprender a conhecer-nos melhor e, portanto, a controlar melhor as nossas reacções.

Infelizmente, o desejo de controlo aparece, por vezes, demasiado tarde - quando já se foi vítima de um sinal de alerta ou de um ataque cardíaco. Mas a verdade é que todos, cardíacos ou não, podemos tirar partido das técnicas de controlo ou de gestão do stress.

Muitas vezes, recusamo-nos a prestar atenção aos sinais que nos avisam de que estamos a ser submetidos a um excesso de stress. Eis alguns desses sinais:
– irritabilidade (anormal) pouco habitual;
– aumento do consumo diário de vinho e/ou de outras bebidas alcoólicas;
– aumento do consumo diário de cigarros;
– perda de apetite ou, ao invés, um desejo permanente de comer alguma coisa - o que se traduz, de uma forma ou de outra, numa alteração do peso;
– perturbações do sono;
– dores de cabeça;
– dores de barriga;
– diarreia ou obstipação;
– modificação do comportamento social.
Estas mudanças são, geralmente, notadas pelos outros, antes que a própria pessoa se dê conta delas e aceite levá-las a sério.

Que fazer?
Uma vez reconhecido e assumido o excesso de stress, uma das primeiras coisas a fazer deveria ser determinar a(s) sua(s) causa(s). Lembre-se que muitas pequenas causas podem, por vezes, ter um efeito mais devastador do que um só acontecimento, mesmo que este seja potencialmente mais causador de stress.

Esta determinação de causas pode ser feita pela própria pessoa. No entanto, o melhor é falar do assunto com um interlocutor "neutro", por exemplo, um amigo ou um parente pouco implicado na sua vida.

Dedique algum tempo a questionar-se sobre si próprio, sobre as suas relações com aqueles que o rodeiam, sobre as suas atitudes face às diferentes circunstâncias da vida. É possível, por exemplo, fazer uma classificação dos elementos geradores de stress e tomar as medidas que considere mais adequadas para atenuar os seus efeitos:
– acontecimentos aos quais nada poderá alterar;
– acontecimentos que, com o tempo, se resolverão;
– acontecimentos aos quais é possível alterar alguma coisa.
É evidente que se trata, aqui, de estimativas totalmente pessoais e para as quais cada um deve recorrer à sua própria experiência.

A ajuda psicológica
Se, mesmo assim, não conseguir encontrar uma solução, procure ajuda junto de um profissional. Quer se trate de um assistente social, de um psicólogo ou de um médico, o importante é que possa estabelecer com ele uma relação de confiança. Não hesite em mudar de terapeuta, caso considere isso necessário, porque a qualidade da relação é primordial.

Para alguns, o fato de pedir ajuda a alguém é sinónimo de fraqueza. Mas a verdade é que a recusa de ajuda exterior significa, quase sempre, medo de reconhecer as suas próprias fraquezas. É evidente que cada situação tem caraterísticas particulares, mas o simples fato de poder discutir os seus problemas com uma pessoa atenta e competente poderá dar-lhe um grande apoio.

Por outro lado, o stress, sobretudo quando é permanente, pode ser sinal de uma causa de origem psicológica, muito profunda, por vezes até inscrita na estrutura da personalidade, mas quase sempre ligada à infância.

Quanto à eficácia deste tipo de tratamento, relembramos os resultados de duas experiências efetuadas no âmbito da Organização Mundial de Saúde. Na primeira, metade dos pacientes foram tratados com uma benzodiazepina, a outra metade através de uma psicoterapia ligeira (escuta, discussão e aconselhamento). Na segunda, três grupos de pacientes tomaram tranquilizantes, enquanto o quarto grupo recebeu apenas, sem o saber, um placebo (substância neutra desprovida de qualquer princípio ativo). Conclusão: o aconselhamento psicológico e o placebo foram tão eficazes como os medicamentos. Mais: os pacientes que se revelaram mais satisfeitos foram os que tinham seguido a psicoterapia.

A ajuda medicamentosa
Em casos de stress agudo, o médico poderá prescrever um medicamento. Os tranquilizantes são medicamentos que agem, de fato, sobre o sistema nervoso. Acalmam a angústia e a ansiedade que muitas vezes acompanham as crises graves de stress. Relaxam os músculos e alguns ajudam a dormir. Entre estes sedativos ou ansiolíticos, os mais correntes são, atualmente, os derivados das benzodiazepinas.

Os derivados das benzodiazepinas são, sem dúvida, medicamentos úteis em certas circunstâncias difíceis e a curto prazo. A sua lista não cessa de aumentar. Mas, cuidado: há alguns efeitos secundários que podem manifestar-se se forem utilizados durante mais de uma a duas semanas. Além disso, podem provocar dependência.

Os principais efeitos secundários das benzodiazepinas são os seguintes: sonolência, vertigens, fadiga, fraqueza muscular, euforia e, especialmente em casos de utilização muito prolongada, diminuição das faculdades da memória e concentração e, eventualmente, confusão mental. Estes efeitos têm consequências mais importantes nas pessoas idosas. Por outro lado, as benzodiazepinas podem agravar uma depressão ou, pelo contrário, embora mais raramente, induzir um comportamento agressivo. Finalmente, estas substâncias passam para o leite materno e penetram no feto, provocando um enfraquecimento das funções vitais.

A dependência das benzodiazepinas constitui um problema importante. A dependência psicológica manifesta-se pela procura dos efeitos euforizantes. A dependência física surge mesmo com doses normais e, por vezes, logo desde a terceira semana de tratamento. A dependência instala-se, sobretudo, nas pessoas instáveis. Nos casos de interrupção brusca aparecem insónias, perda de apetite, náuseas, tremores e palpitações. Estes sintomas podem durar até três semanas. É por isso que se recomenda que não se interrompa bruscamente o tratamento, mas que se vão diminuindo, progressivamente, as doses.

Com o tempo, também pode surgir um efeito de tolerância. Nesse caso, o medicamento deixa de agir eficazmente sobre a angústia e a ansiedade, criando a necessidade de aumentar a dose (e, consequentemente, aumentando os riscos) para se obter o mesmo efeito terapêutico.

Os tratamentos alternativos

Homeopatia
É impossível dar aqui os nomes dos medicamentos, porque, em homeopatia, o que guia a prescrição são as reacções individuais, avaliadas pelo homeopata no decurso de um longo interrogatório. Por exemplo, se a sua atitude face ao stress é, habitualmente, uma reacção de fuga, ele prescreverá um determinado remédio. Se reagir pela inércia, ele receitará outro. Advertimos, no entanto, que os resultados obtidos através dos tratamentos homeopáticos costumam ser imprevisíveis: por vezes são extremamente rápidos e espetaculares, outras vezes o efeito é quase nulo.

Fitoterapia
A raiz da angélica, em tisana (10 a 30 gramas de pó para 1 litro de água) ou simplesmente em pó, constitui um medicamento realmente eficaz para perturbações relacionadas com o stress, a irritabilidade e a angústia.

A infusão de lúpulo, na dose relativamente elevada de 45 gramas por litro (dose que não se deve ultrapassar), é um bom sedativo e até um pouco narcótica.

A tília, de uso muito difundido, acalma numerosas manifestações de nervosismo. Uma infusão de valeriana (10 a 30 gramas para 1 litro de água) tem efeitos simultaneamente sedativos e ligeiramente hipnóticos.

Atenção: as cápsulas de papoila, utilizadas como calmantes e soníferos, devem as suas propriedades aos alcalóides que contêm, nomeadamente a morfina e seus derivados. São estupefacientes que facilmente criam habituação e podem provocar intoxicação. Nunca dê um tal "medicamento" a uma criança ou a uma pessoa idosa.

Acupuntura
Esta técnica chinesa, que atua através da estimulação de determinados pontos do corpo (utilizando, para isso, agulhas apropriadas), é normalmente eficaz na resolução dos problemas de stress ligados à ansiedade.
 
Como enfrentar o stress?
Como gerir, com calma e um máximo de hipóteses de sucesso, as circunstâncias da vida que constituem fontes inevitáveis de uma certa dose de stress? Não há muitas respostas para esta questão! Ainda e sempre, resumem-se a uma só frase: é necessário levar uma vida saudável, a fim de melhorar as nossas capacidades de defesa fisiológica.

Antes de mais, procure dormir o suficiente - mas não demasiado! As situações de conflito geram, muitas vezes, problemas de sono e, durante a noite, os pequenos problemas (e, forçosamente, também os grandes) assumem, por vezes, proporções exageradas. Para ter o máximo de trunfos do seu lado, evite os jantares muito pesados; evite também tomar bebidas excitantes a partir do meio da tarde (chá, café, bebidas de cola, etc.). Procure, de acordo com as suas preferências e disponibilidade, atividades relaxantes antes da hora de deitar, como, por exemplo, leitura, música (suave!), jogos de paciência ou um passeio pelo bairro.

Atenção: risque definitivamente da sua lista os medicamentos para dormir. Estes só devem ser tomados quando prescritos pelo médico. É verdade que alguns dos medicamentos mais recentes têm muito menos efeitos secundários do que os mais antigos (especialmente no respeitante ao conforto do despertar e das horas seguintes), mas continuam a ser susceptíveis de provocar no consumidor um círculo vicioso de habituação.

Procure manter uma dieta alimentar equilibrada. Em períodos de grandes preocupações profissionais ou familiares, é normal que não se tenha grande "cabeça" para pensar na dieta. No entanto, basta diminuir a quantidade diária de gorduras, de açúcares e de álcool para que a condição física melhore e aumentem as hipóteses de enfrentar com sucesso as circunstâncias difíceis. Mas, como é evidente, a dieta não deve funcionar como mais uma fonte de stress! Introduza as mudanças de forma progressiva e, caso seja necessário, peça ajuda aos que o rodeiam.

Encontre uma maneira de fazer suficiente exercício físico, na forma que for, para si, mais agradável. A este respeito, veja também o próximo capítulo.

Uma vez estabelecida a lista dos pequenos acontecimentos causadores de stress que se reproduzem no seu quotidiano, conceda-se tempo suficiente para refletir nas modificações que poderá introduzir. Eventualmente, discuta-as em família ou com os amigos. O mais frequente é que, quando há boa vontade, se encontrem soluções, porque elas existem!

Para alguns, o isolamento social, principalmente no anonimato das grandes cidades, pode ser, em si, um fator de stress. Por outro lado, a informação sobre as possibilidades de ajuda, material e/ou psicológica, nem sempre é do conhecimento de todos. Não se deixe desencorajar por isso: contate um centro ou uma instituição de apoio social, os quais costumam possuir listas de endereços úteis e o poderão aconselhar, mesmo conservando o anonimato, se for esse o seu desejo.

Apesar de nem sempre ser possível modificar radicalmente o modo de vida, pode-se, pelo menos, organizá-lo de forma mais racional. Por exemplo, podem fazer-se as compras essenciais uma só vez por semana ou, melhor ainda, por mês, diminuir as idas e vindas para levar e trazer as crianças de eventuais atividades, tomar as medidas necessárias para facilitar a arrumação e a limpeza da casa.
Há sempre mais vantagens em organizar o tempo do que em deixar-se dominar por ele. Por isso, dedique alguns minutos de cada noite a refletir sobre o dia que passou e a programar o seguinte. Dessa forma, poderá evitar algum cansaço e enervamentos inúteis.

Todos os cardiologistas estão de acordo em dizer que os efeitos desastrosos do stress acumulado poderiam ser consideravelmente reduzidos se se tivesse a possibilidade de exprimir a agressividade em locais onde não fizesse mal a ninguém. A prática de um desporto é, para isso, um terreno de eleição. Não é só uma óptima forma de gastar o açúcar e as gorduras; é também uma maneira de pôr em acção as "hormonas da cólera" para produzir o esforço físico. Dessa forma, em caso de stress acumulado, haverá uma secreção reduzida dessas hormonas.
 
Como melhorar as capacidades de «defesa mental»?
Nos últimos dez ou vinte anos, surgiram muitas técnicas de relaxamento e bem-estar. Mas, qualquer que seja a técnica utilizada (ioga, sofrologia ou outra) o que importa é conseguir melhorar o controlo das reacções emocionais de medo ou cólera, ambas geradoras de stress. Mas lembre-se de que, para uma prevenção eficaz, o melhor método é aquele com que a pessoa se sente mais à vontade. Para lá das modas, essas diferentes técnicas permitem, geralmente, obter um melhor conhecimento de si mesmo e, sobretudo, do próprio corpo.

De acordo com as suas preferências, poderá aprender tais técnicas, sozinho ou ajudado por um profissional, em sessões individuais ou de grupo. O importante, repetimos, é que a técnica lhe agrade e, principalmente, que a possa praticar com regularidade. Um bom relaxamento, mas só de vez em quando, pode ser muito agradável, mas terá poucas hipóteses de o ajudar a modificar o seu comportamento habitual face ao stress de todos os dias.

Um exercício simples
Um simples treino de relaxamento diário, com uma duração de 10 a 15 minutos, pode fazer maravilhas. Eis uma técnica muito simples:
– instale-se confortavelmente. Não é necessário deitar-se para conseguir relaxar. Pode fazê-lo sentado e, com algum treino, até de pé!;
– feche os olhos;
– procure tomar consciência das diferentes partes do seu corpo que estão em contato com o solo, o colchão, a cadeira, etc.;
– respire normalmente e fique atento a essa respiração;
– quando se sentir calmo e concentrado, procure relaxar cada grupo muscular do seu corpo.

Como é mais fácil, sobretudo no princípio, aperceber-se de um músculo contraído do que de um músculo relaxado, um bom método consiste em contrair os músculos de uma zona do corpo, para depois os relaxar. Isso pode ser feito zona a zona ou de forma mais global. Por exemplo:
– contrair os músculos dos pés, da barriga das pernas e das coxas;
– apertar as nádegas;
– contrair os músculos da pélvis e da barriga;
– esticar as costas;
– esticar os braços, cerrar os punhos, levantar os ombros;
– contrair os músculos do rosto.

Conceda-se o tempo necessário para saborear o relaxamento que se segue à contracção, fique atento às sensações e repita o exercício duas ou três vezes.

As técnicas de relaxamento

Entre as numerosas técnicas de relaxamento em voga, há apenas três que realmente deram provas de eficácia e atingiram um estatuto autónomo: o ioga, a sofrologia e a eutonia. Partem do postulado da unidade do corpo e do espírito e professam o mesmo objetivo: levam-nos a ocuparmo-nos de nós mesmos sem fazermos refletir o stress nos que estão à nossa volta.

O ioga visa uma integração física, mental e espiritual que é tão benéfica para o domínio do corpo como da mente. A técnica recorre a uma série de posturas que exigem um estiramento salutar dos músculos e a concentração mental durante a sua execução. Disciplina "suave", o ioga pode ser praticado por toda a gente, independentemente da idade.

A sofrologia é também um conjunto de práticas que visam dominar as sensações de dor e o desconforto psíquico. Inspira-se no zen, no ioga e no budismo. Graças a diferentes exercícios físicos, permite um verdadeiro domínio do corpo. A "visualização positiva" ensina a expurgar o negativismo para encarar a vida de modo positivo. As sessões podem ser gravadas em cassete, o que permite voltar a fazer os exercícios em casa, independentemente do grupo e do monitor.

A eutonia é uma procura do tónus adequado, tanto nas situações de repouso como de movimento. É uma técnica não-diretiva: não impõe séries definidas de exercícios, mas preconiza para cada pessoa a procura da sua posição ideal com um dispêndio mínimo de esforço.

Atenção: a aprendizagem destas técnicas de relaxamento deve fazer-se sob a direcção de um monitor competente, geralmente em grupo. Mas o objetivo final é a autonomia: só quem dominar a técnica será capaz de não se deixar absorver pelo stress.
 
Uma cura de relaxamento, porque não?
Se não aguenta mais, tem ainda uma última possibilidade: dissolva o stress na água! Na verdade, o que não falta são estações termais. Este tipo de cura é sempre benéfico, sobretudo quando acompanhado por uma mudança de ares, uma dieta apropriada e tratamentos adicionais: massagens, ginástica, banho de algas ou de argila...
Infelizmente, tudo isto se paga e o seu efeito é provisório ... a não ser que, ao voltar para casa, resolva tomar as medidas de que temos vindo a falar.

Texto extraido do livro "Coração em forma", Capítulo 6 - Deco/ProTeste

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